Federação
19/09/2008 01:02:02
Clubes lideram movimento para não ter a Série D em 2009. FBA apoia os clubes e já há sugestão para 2010, confira.

Contra a Série D
O Londrina por meio do presidente do Conselho Deliberativo, advogado Fábio Theóphilo, está liderando um movimento nacional que visa defender a manutenção dos critérios de classificação da Série C em 2009 e o adiamento da criação da Série D, a quarta divisão, somente a partir de 2010. Na última semana, a CBF anunciou duas novidades para o próximo ano: uma Série C com apenas 20 clubes (os classificados do 5º ao 20º lugares na competição de 2008 e os quatro rebaixados da Série B também deste ano) e a criação da Série D, que terá 40 equipes oriundas dos campeonatos estaduais, de acordo com os critérios técnicos de classificação de cada federação.
A reivindicação do Londrina tem, segundo Theóphilo, a adesão formal da maioria dos outros nove clubes que aparecem no ranking da CBF como os mais bem colocados que não disputam as séries A e B. Esses nove clubes são Guarani-SP (13º no ranking), Santa Cruz-PE (21º), Remo-PA (26º), Paysandu-PA (31º), Joinville-SC (33º), América-MG (34º), Botafogo-SP (35º), Operário-MS (37º) e Desportiva-ES (38º). Nesta lista, o LEC é o 32º colocado.
Fábio Theóphilo disse em entrevista coletiva, que já tem em mãos um ofício a ser entregue ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira, nesta semana, pedindo que reconsidere a mudança no formato da Série C já a partir de 2009 e a criação da Série D também para o próximo ano.
“Neste ofício, que já tem a adesão da maioria desses clubes, questionamos a viabilidade econômica de uma quarta divisão”, disse. Além da questão financeira, o LEC também reclama não ser justo com os clubes que se preparam para disputar as copas regionais a CBF mudar “de uma hora para outra” o critério de classificação para a Série C de 2009.
“A Série C não começa em agosto. Ela começa na verdade no ano anterior, quando os clubes pequenos disputam uma vaga através das copas regionais.
Não é justo a CBF anunciar agora essa mudança, no fim dos Estaduais. Defendemos que haja uma preparação senão ela vai quebrar os clubes pequenos e tirar a autonomia das federações”, afirmou Theóphilo. Com as mudanças anunciadas pela CBF, a Federação Paranaense de Futebol vai esperar uma posição da CBF quanto aos critérios de classificação para a Série D para confirmar a realização da Copa Paraná.
GastosEx-presidente da Futebol Brasil Associados (FBA), entidade que gerencia a Série B, o presidente do LEC, Peter Silva, disse que uma Série D seria ainda mais cara que as divisões A, B e C, pois os clubes são de vários estados, a maioria de fora das capitais.
“Só de passagens aéreas, a Série A gasta R$ 16 milhões e a B, R$ 12 milhões. A Série C, como a CBF está querendo, com 20 clubes, gastaria mais de R$ 20 milhões. Imagina uma Série D com turno e returno”, afirmou.
FBA é favorável à ação judicial contra a criação da Série D
A Futebol Brasil Associados (FBA), entidade gestora do Campeonato Brasileiro da Série B, se mostrou favorável aos clubes do Remo e Santa Cruz, que pretendem entrar com uma ação no Superior Tribunal de Justiça Desportiva, contra a criação da Série D. O presidente da FBA, José Neves, afirmou que estará ao lado dos times filiados "onde eles estiverem" e se for para entrar na Justiça, ele garantiu que "a entidade estará com eles". Neves é torcedor do Santa Cruz e já foi presidente do clube.
(Da redação, com informações da Rádio Clube Recife)
Outra proposta
Essa medida qualitativa abriria uma grande possibilidade para o fortalecimento dos clubes das Séries B e C, além da própria Associação.
A partir de 2009, a série C poderia seguir a mesma sistemática das Séries A e B, ou seja, começando em maio e se estendendo até dezembro em sistema de ida e volta por pontos corridos. A única diferença proposta seria a divisão de uma nova versão com apenas 32 clubes dividida em dois grupos de 16 (Grupos Norte e Sul), com todos jogando contra todos de ida e volta no âmbito de cada grupo, classificando-se ao final do turno e returno, os 04 primeiros colocados que disputariam um cruzamento olímpico duplo. Seriam escolhidos para essa primeira nova versão da Série C os clubes constantes da classificação nacional da CBF entre o 41º e 72° (Ranking da CBF). A partir de então, o acesso e o descenso, somente dar-se-iam através da divisão de acesso (SérieD), com cinco clubes sendo rebaixados e cinco sendo promovidos.
Finalmente, para que nenhum clube da Série A de nenhum dos Estados fique sem atividade operacional, todos os demais clubes não classificados para as três primeiras séries seriam englobados numa nova série D com 27 grupos estaduais compostos pelas atuais Copas Estaduais sem os clubes englobados nas Séries A, B e C do Brasileirão, com afunilamento a critério do Conselho Técnico correspondente.
Em resumo, a partir de 2008 ou 2009, teríamos as seguintes Séries:
Série A – 20 Clubes
Série B – 20 Clubes
Série C - 32 Clubes (Em dois grupos regionalizados Norte e Sul de 16 clubes)
Série D - Copas Estaduais formando 27 grupos estaduais, sem os clubes englobados nas Séries A, B e C, com os 27 clubes campeões e mais os vice-campeões dos cinco Estados mais ricos, com base no PIB do IBGE, afunilando conforme parecer do Conselho Técnico correspondente.
Chegando à Série A, qualquer clube estaria automaticamente associado ao Clube dos Treze com todos os direitos dos demais associados conforme sistemática proposta no início deste trabalho.
Para os clubes não participantes da Série dita de elite, seria mantida a FBA – Futebol Brasil Associados, para a Série B, doravante, sensivelmente mais valorizada com cerca de 13 clubes recebendo cotas proporcionais da Série A, ficando os recursos arrecadados com Série B exclusivamente para serem rateados entre os demais clubes não associados ao C13.
Poderiam ser criadas duas outras Associações englobando os clubes das Séries C e D para gestão financeira dos respectivos certames. Esperamos que os novos 13 clubes beneficiados com as novas medidas propostas saiam do imobilismo e marquem um imediato encontro, com apoio da FBA e das Federações para encaminhamento da proposta à CBF e ao Clube dos Treze.
Sugere-se que todos os associados do Clube dos Treze na nova sistemática tenham assento, com as respectivas Federações, na Assembléia Geral Eleitoral para eleição do novo Presidente da CBF e do Presidente do Clube dos Treze.
Para finalizar, sustentamos que existem outras formas de obter recursos novos para todos os clubes e federações do Brasil, desde que se contrate pessoas especializadas para a elaboração de projetos e não se valorize apenas os atletas e os treinadores, como atualmente. O futebol brasileiro mal explora 10% do seu potencial econômico-financeiro.
Roberto C. Limeira de Castro










