Federação

06/09/2008 12:53:39

Gilson Lira conta história de Genésio do Carmo o técnico Paizão que foi Campeão com o União. Ele fez 123 jogos dirigindo o Colorado confira.

COLUNA DO ARTILHEIRO

FEDERAÇÃO HOMENAGEIA GENÉSIO DO CARMO NO SUB-18

        Pela primeira vez eu jogaria para ser vice-campeão, isso porque a ele caberá o troféu que leva o nome do melhor técnico que o União já teve Genésio do Carmo. Se isso fosse dito aqui por um atleta que somente tivesse jogado no União talvez vocês não dessem tanto valor, mas este que está afirmando, antes de chegar ao União já havia passado nas mãos de dezenas de técnicos (alguns bem renomados) por esse Brasil imenso: RJ, PR, PE, RN, BA, GO,MT e MS. Se a minha análise usasse como critério a necessidade de um diploma na formação de Educação Física ou desses tantos cursinhos de preparação técnica para sentar no banco Genésio estaria fora por não tê-los. Graças a Deus naquela época não era preciso. Qual seria então o segredo desse técnico? Em primeiro lugar porque também tendo jogado futebol (mesmo sem ter sido brilhante) entendia a linguagem dos “boleiros” (bem como as suas malandragens) o que facilitava a sua comunicação. Ele sabia ser “paizão” quando a situação pedia que assumisse esse papel, mas também era rigoroso, às vezes até durão, quando alguns atletas extrapolavam no direito de sua liberdade (uma vez uns colegas tomaram umas cervejas na noite anterior a um jogo e a coisa ficou feia pro lado da boleirada, dando até multa). Mas quando vencíamos as partidas (e isso era constante) ele sempre estava na ABR (clube onde reuníamos ao som de Marinho e seus Beat Boys para comemorar as vitórias) junto aos atletas  e misturado com a torcida, pois era simples e dava atenção a todos que chegavam para falar de futebol. Nessa época eu gostava de tomar uma Cuba Livre (mistura de rum com coca-cola, gelo e limão) e ele nunca deixava faltar. Outra virtude que tinha e que me fez respeitá-lo ainda mais, é que quando o jogo estava difícil, no intervalo, ele me chamava e o Ruiter (às vezes outros colegas) antes de tomar uma decisão e dialogava sobre o assunto e na verdade a coisa acontecia. O time ganhava muito com a sua humildade, embora não fosse muito de aceitar as intervenções de alguns dirigentes (sempre tem aqueles que querem dar suas opiniões, mas ele tinha jogo de corpo), nunca deixou de ouvi-los. Foi um técnico vencedor, pois o União sob o seu comando ganhou o seu primeiro título no futebol profissional e de forma invicta, o Torneio Incentivo, contra adversários na época bem mais tradicionais e estruturados do que o União como Mixto, Operário, Dom Bosco, Comercial e ainda o Flamengo (RJ) como convidado da CBF. No Estadual deu a volta olímpica como campeão no domingo (vitória sobre o Ubiratã nos descontos por 1x0) e perdeu na terça-feira no tapetão (o Comercial ganhou os pontos do Dom Bosco e levou o título para Campo Grande). No ano seguinte conquistou o Bi-campeonato do Torneio Incentivo e novamente invicto. Ainda nesse ano no Estadual ganhou o 2º turno vencendo todos os jogos. Na Copa Cuiabá deste ano, embora a FMF tenha dado o título ao Mixto, o União terminou junto com 7 pontos ganhos e também iguais no saldo de gols.

        Tive a honra de conviver com Genésio toda essa fase vitoriosa de sua vida, infelizmente em 1.980, no dia em que completei 32 anos decidi parar e me dedicar inteiramente à minha outra paixão, a Educação. Paralelamente passei também a atuar como comentarista e depois narrador esportivo tendo a chance de me encontrar com Genésio em vários momentos, pois sempre que havia alguma ameaça do União não disputar um campeonato Estadual, lá estava ele (O Pachá, apelido carinhoso que os atletas o chamavam) para assumir alguma função e manter o clube na ativa. Nos anos 80 foram várias intervenções sempre ajudando o inseparável amigo Campo Limpo (outro grande abnegado do União). Lembro que em 91 acabou sobrando o time na mão dele que ainda conseguiu levá-lo a mais um vice.

        Foi o técnico com o maior número de partidas na história, dirigindo 123 jogos com apenas 26 derrotas. Sem considerar percentuais, foi o que mais venceu com 61 vitórias e 36 empates.

        Enquanto esteve em vida (que eu saiba) nunca recebeu uma homenagem do clube que tanto amou (o União) e honrou defendendo com galhardia (e não digam que recebeu para isso, porque em várias oportunidades abriu mão da remuneração para que outros pudessem receber), mas tem  o seu nome num mini-estádio sendo lembrado por aqueles que lhe deram valor (Salaquiel Moisés quando foi secretário de esportes do município) e agora com o seu nome no troféu ao vice-campeão do sub-18. Estou torcendo para que o União seja o Campeão e com isso o troféu que será entregue ao vice fique com os seus filhos que ele tanto amou. Agradeço em nome de toda nossa geração ao Presidente Carlos Orione pela homenagem  justa ao nosso saudoso técnico campeão, Genésio do Carmo.