Coluna do Artilheiro

04/09/2008 11:46:03

Artilheiro Gilson Lira destaca a paradinha nas cobranças de pênaltis. Parar ou não parar, Diogo usa muito a paradinha.

COLUNA DO ARTILHEIRO

É PÊNALTI! PARAR OU NÃO PARAR, EIS A QUESTÃO.

       A questão da paradinha na cobrança de uma penalidade máxima é tão antiga como andar para frente. O maior craque de todos os tempos, Pelé, foi quem consagrou  este lance no futebol, só que na paradinha dele não havia nenhum exagero e todos os goleiros sentiam-se honrados em tomar um gol de pênalti do rei, que o diga o goleiro mil Andrada do Vasco. Mas, não se sabe por que, a FIFA acabou vetando a tal paradinha que saiu de cenário por uns tempos para posteriormente autorizá-la. Só que nos dias atuais e principalmente no futebol brasileiro a paradinha virou uma febre, em todos os jogos do brasileiro ela está sendo utilizada. E convenhamos, é uma covardia que se faz ao goleiro, algumas pessoas acham até que é uma humilhação. Se pegar um pênalti cobrado da maneira normal já é difícil, imagine com o atacante podendo dar a paradinha? Por outro lado há quem ache bastante excitante na hora crucial o atacante pára, há aquele silêncio sepulcral no estádio e o goleiro impaciente se atira para um canto e só aí o atacante toca para o outro. Dizem que assim não tem jeito, mas digo que os treinadores de goleiro têm que se fechar num laboratório e encontrar uma maneira de cessar com a ousadia dos atacantes. Acho (é só achismo) que a melhor decisão é “não decidir”. No momento em que o atacante der a paradinha, o goleiro permanece também parado (todo o estádio também vai parar) e isso vai tirar o foco do cobrador que vai acabar chutando para fora ou tocando fraco na bola o que vai permitir a defesa do goleiro. Conselho de quem foi artilheiro (684 gols na carreira com 285 em MT) e sem ser cobrador de pênalti nem faltas. Quero dizer que continuo sem gostar de goleiros, pois eles têm a missão de evitar a coisa mais linda do futebol que é o gol, mas fico também com dó quando lembro que ele é um profissional como tantos outros e cuja regra na hora do pênalti já é bem clara para eles: não podem sair de cima da linha do gol antes do chute. Agora o presidente da Comissão Nacional de Arbitragem (CONAF) Sérgio Corrêa disse que o goleiro pode dar um passo para o impulso.  A verdade é que a cobrança de um pênalti é a punição maior no futebol e o que se quer é que ela se transforme em gol, assim sendo o goleiro é o verdadeiro vilão da história e o cobrador o mocinho e em todo filme que se preze o mocinho sempre vence para que tenhamos um final feliz.

       A polêmica ganhou mais um capítulo quando o árbitro Cleber Wellington Abade que apitou Palmeiras e Portuguesa ameaçou o atacante Alex Mineiro de mandar voltar a cobrança se ele exagerasse na maneira de bater, ou seja, com a paradinha. No jogo seguinte do Palmeiras, contra o Atlético Paranaense, o Alan Bahia deu aquela parada quilométrica deixando o Marcos esparramado de um lado e tocando no outro. O Palmeiras mesmo vencendo o jogo por 2x1 não se conformou com a paradinha do Alan e chiou, mas o diretor da CONAF endossou a cobrança do Alan Bahia e disse quanto à questão do árbitro Cleber Abade que não cabe a ele informar o atleta quanto à regra. Quanto à questão da paradinha disse que o jogador não pode é passar o pé por cima da bola na hora de bater o pênalti. “O ato de fintar é permitido pela regra”. Quanto aos nossos principais críticos de arbitragem também há uma divergência, enquanto Arnaldo César Coelho e Renato Marsiglia acham que têm que ser estabelecidos critérios quanto à paradinha, José Roberto Wright acha que é um recurso válido. Realmente há diferentes modos de se dar uma paradinha. Tanto Alex Mineiro quanto Alan Bahia dão um bico na grama parando completamente o movimento e depois dão o chute, já o Roger vai correndo e dá uma parada na corrida para tocar a bola o que é mais aceitável, sendo uma parada mais curta.

       É bom lembrar que na decisão da Taça Libertadores da América o Fluminense optou por não usar a paradinha e três craques tricolores Conca, Washington e Thiago Neves perderam as suas cobranças e mandaram o título para o espaço.

       No futebol mato-grossense, que não é uma exceção à regra, a paradinha comeu solto no Estadual e na Copa Governador sendo o destaque maior no seu uso o artilheiro Diogo do União que usou e abusou do direito de deixar os goleiros caídos antes de mandar a bola para as redes. Se não me engano no jogo contra a Cacerense o goleiro demorou a cair e quase o Diogo perdeu a cobrança com a bola passando pertinho da perna do goleiro Alex, mas não perdeu confirmando 100% de aproveitamento com a paradinha.

       E para terminar vamos colocar aqui o que realmente acontece durante a cobrança de uma penalidade máxima: “De um lado, o geralmente tenso cobrador, de outro o indefeso goleiro. Bola na marca da cal e a corrida para a cobrança. De repente, um retardo: o goleiro se atira para um lado e, finalmente, o chute é executado. Essa é a polêmica paradinha, cruel para a maioria dos goleiros e que virou modismo entre os jogadores.” O tema é controverso e a pergunta não pode calar. A paradinha deve ou não ser proibida? Mande o seu e-mail para gilsonlira@terra.com.br e ganhe um livro de poesias no retorno do seu e-mail. Estou curioso para saber a sua opinião. E se você quiser escolher o livro de brinde é só entrar no meu site WWW.gilsonlirapoesias.com e dizer o nome da obra escolhida. Obrigado por ler a nossa coluna e até mais.