Coluna do Artilheiro
07/08/2008 10:37:06
Com grande experiência no Futebol de MT, Gilson Lira dá as dicas de mudanças necessárias.
COLUNA DO ARTILHEIRO
AS MUDANÇAS NECESSÁRIAS AO FUTEBOL MATO-GROSSENSE
Convivendo no futebol do nosso Estado desde 1.973 quando vim jogar no Operário Várzea-grandense até os dias de hoje acumulando uma experiência como atleta, técnico, comentarista, narrador, âncora de programa de TV e colunista, creio que já dá para citar nessa coluna algumas dicas para melhorar o nosso futebol. Mato Grosso tem características próprias que precisam ser analisadas: um clima muito quente, território ainda muito extenso e uma grande diversidade de imigrantes. Esses fatores contribuem para dificultar a adaptação de muitos atletas que normalmente assinam contratos de apenas 4 a 6 meses. Quero, no entanto dizer que o aspecto que menos evoluiu nestes anos e que continua dificultando o progresso das nossas equipes (e por isso não temos nenhuma na série B) é a parte administrativa dos clubes que embora alguns tentem maquiar uma visão profissional continuam anos luz deste aspecto. Não há na maioria dos clubes um projeto sério para o futebol, o que vemos é um imediatismo de cada diretoria que assume pensando em montar uma equipe para ser campeã. Não há um planejamento específico, um quadro de metas, justificativas, objetivos claros, estratégias, procedimentos, parceiros, levantamento de recursos necessários, um cronograma de execução e o que seria muito importante a equipe executora tem que ter identidade com o clube e isso quase não existe na maioria das equipes do nosso futebol. Não quero ser taxado de xenófobo, mesmo porque apesar de não ter nascido nesse Estado, já dei muita demonstração do meu amor por ele nesses anos. Mas infelizmente quase sempre entregam o destino dos nossos clubes em cargos como: Gerente , Coordenador, Supervisor, Técnico, Auxiliar técnico, etc. às pessoas que vem de outros Estados e desconhecem completamente os fatores que coloquei no início desse texto e que infelizmente assinam um contrato quase sempre curto, agem simplesmente na frieza desse contrato (quando cumprem até o final) e deixam atrás de si os dissabores de mais um insucesso. Geralmente trazem consigo atletas que já constam das suas listas, menosprezando o trabalhador local, principalmente o prata da casa, que ao contrário dos que chegam já se encontram adaptados aos excessivos rigores do nosso clima. Outro aspecto que precisa ser levado em conta pelos dirigentes dos nossos clubes é que este precisa ter um cargo de confiança no que tange ao futebol para representar a diretoria e a própria torcida junto ao técnico, seja ele daqui ou de fora. Esse cargo seria o de Auxiliar Técnico com poderes de questionar o plano tático e técnico a ser executado pelo chefe da Comissão técnica. Auxiliá-lo nos treinamentos e fornecer informações sobre os adversários que irá enfrentar na competição. Lógico que esse cargo seria exercido por alguém que tenha identificação com o clube e dotado de conhecimentos sobre o futebol local. O que tem acontecido é que o técnico contratado pelo clube quando não assume uma postura ditatorial sem dar satisfação para ninguém do seu trabalho, também por outro lado, fica sujeito a palpites na própria escalação do time por pessoas que nunca chutaram uma bola, mas que se julgam no direito de opinar por estar pagando a quem dirige. Quanto ao cargo de Gerente, Coordenador, Supervisor e Diretor de Futebol se a presidência conseguir colocar alguém que seja organizado e ao mesmo tempo tenha conhecimento de futebol, com experiência para lidar com os atletas poderá descansar pois terá em cada cargo alguém com competência para solucionar os problemas do clube. Quanto à parte administrativa não precisa conhecer de futebol, mas sim dominar aquelas funções inerentes ao bom gestor e aqui cabe bem um presidente que seja empresário, como também um tesoureiro, um secretário e outros com funções administrativas. Se não houver numa diretoria de um clube de futebol pessoas específicas para cada setor a tendência é fracassar todo e qualquer projeto. Imaginem então aqueles que nem projeto tem. O segredo está em cada um dar ao clube o conhecimento que tem: quem foi atleta contribui no departamento de futebol, quem não foi que atue na parte administrativa. Mas todos devem participar da montagem do projeto do clube, pois esse é o grande momento de se expor todas as idéias e termino lembrando que projeto deve ter início e fim. E ao final deve ser avaliado e reformulado para o ano seguinte. É somente com organização que se forja um clube campeão.
gilsonlira@terra.com.br











