Outros Esportes

23/07/2008 02:07:55

Proibição de venda de bebidas alcóolicas nos Estádio. Conheça a reação de alguns torcedores.

CBF proíbe venda de bebida nos estádios



Para tentar conter a violência nos estádios, a CBF resolveu proibir a venda e o consumo de bebidas alcoólicas nos torneios que organiza e em jogos da seleção no país pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2010.  A publicidade desses produtos em estádios, no entanto, permanece inalterada. A entidade tem um contrato de patrocínio milionário com a Ambev, que produz as cervejas Brahma, Antarctica e Skol.  A CBF diz que a decisão foi tomada com o objetivo de dar mais segurança aos torcedores e nega problemas com o patrocinador. Procurada pela reportagem, a Ambev não se manifestou sobre o assunto.  A decisão de suspender a venda de bebidas integra um protocolo de intenções assinado com o CNPG (Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União).  O documento determina ainda o aperfeiçoamento dos laudos técnicos sobre as condições de segurança e higiene dos estádios, que devem ser entregues ao Ministério Público antes da realização dos jogos.  Segundo o presidente da entidade, Ricardo Teixeira, a medida entra em vigor "imediatamente". Os clubes mandantes que descumprirem a determinação poderão ser punidos.  "A partir do momento em que há uma determinação e um acordo feito entre o Ministério Público e a CBF, isso vai ultrapassar inclusive as medidas punitivas da CBF através de seus tribunais", afirmou Teixeira, que não explicou que tipo de punição caberia aos clubes.  Dirigentes de clubes ouvidos pela reportagem reagiram de forma positiva à restrição. "A mistura de álcool com emoção é muito complicada", afirmou o vice-presidente de futebol do Flamengo, Kleber Leite.  Apesar de ter sido pego de surpresa pelo anúncio, ele considerou a medida "sadia" e achou correta a decisão de não proibir a publicidade de bebidas. "A pessoa recebe o impacto do anúncio e pode ser que só vá beber dali a dois dias", disse. "O importante é evitar o consumo no estádio."  Reação parecida teve o presidente do Fluminense, Roberto Horcades. Ele disse que já havia sido consultado sobre o assunto por Ricardo Teixeira. "É uma idéia que já vínhamos amadurecendo e que é muito adequada no momento em que o país se prepara para sediar uma Copa do Mundo", disse.  O presidente do CNPG, procurador-geral Marfan Martins, afirmou que a experiência de estados que adotaram medidas semelhantes mostra "uma redução drástica nas ocorrências de violência e vandalismo". Segundo ele, em Minas Gerais essa redução chegou a 70%.  Hoje, a venda de bebidas em estádios já é proibida em SP, RS, MG e CE. Nos dois primeiros, a proibição é feita por lei. Nos outros dois, através de acordos entre as federações locais e o Ministério Público.  O major João Jacques Soares Bisnello, comandante do Grupamento Especial de Policiamento em Estádios da PM do Rio, acredita que, no médio prazo, a restrição poderá levar à redução dos efetivos nos estádios, pois o número de ocorrências deve cair.

Camarotes


Apesar de uma lei estadual de dezembro de 1996 ter proibido a venda e a distribuição de bebidas alcoólicas em praças esportivas de São Paulo, em alguns camarotes de estádios, como os do Morumbi, é servida cerveja.

 DENISE MENCHEN 

O que pensa os torcedores 

Agora, é claro, as Federações estaduais atenderão essa diretriz e também farão sua parte, proibindo a venda de cerveja nos Campeonatos Estaduais. Falo de cadeira porque não consumo cerveja nos Estádios e até reclamo muito dos cervejeiros que passam de um lado para o outro atrapalhando o torcedor durante os jogos. Não acho que esta medida vá surtir o efeito desejado, e pode até ser um tiro nos pés, pelo que se vê os bebedores de cerveja comprando isopor para levar no porta mala de seus carros e ficar nos estacionamentos dos estádios bebendo até próximo ao início do jogo.  

Certamente junto com esta medida a CBF vá introduzir nos estádios o bafômetro de entrada, com duas modalidades, para sócios de carteirinha e para os não sócios que dariam seu bafo na hora de adquirir a entrada no guichê. Ficariam de fora os que adquirirem seus ingressos com os cambistas. Novamente estão escondendo o sofá da sala, para a mulher não enganá-lo com o entregador de pizza. A medida pé para rir ou para chorar?

Todos aqueles que vão constantemente aos estádios sabem que ninguém vai a algum jogo de futebol para ficar bêbado. O povo comparece, torce, vibra e alguns tomam a cervejinha sagrada. Por outro lado, nós sabemos que muita gente já chega bêbada no estádio; basta observar a galera que chega com seus litros de “tubão” embaixo do braço para “assistir” o jogo. Essa mesma galera que já bebeu antes da partida não compra bebida dentro do estádio, até porque a cervejinha tem preço salgado e, para beber bastante, é necessário uma boa quantia de dinheiro. Sabemos também que, se alguém quer brigar, o faz sem o efeito do álcool. Não é preciso beber para atirar uma bomba num ônibus ou cercar um torcedor adversário e espancá-lo. Falta de caráter é falta de caráter com ou sem bebida alcoólica. Os pais de família e pessoas de bem que compram sua cerveja no estádio não saem por aí quebrando tudo e matando gente após as partidas. O problema está nas “pessoas” que se escondem atrás de uma camisa de futebol para liberar toda a violência que têm dentro de si.

Eu não bebo quando vou ao estádio. Aliás, raramente bebo. Não estou defendendo o alcoolismo, mas sim questionando a eficiência dessa medida que, a meu ver, não valerá nada. Não seria mais eficaz um trabalho de conscientização forte sobre a paz no futebol? Não traria mais resultado uma polícia melhor preparada para trabalhar em dia de clássico? É impressão minha ou estão querendo tapar o sol com a peneira?

 

É fácil para quem não acompanha o mundo do futebol dizer que essa é uma medida válida. Porém, só quem conhece de perto a realidade dos estádios brasileiros sabe que isso não funciona. Mais uma vez, a voz da preguiça e do descaso da CBF tomou medidas equivocadas. Resta-nos, a partir de agora, avaliar os resultados.

 

Da Redação