Coluna do Artilheiro

23/07/2008 09:22:57

A Coluna do Artilheiro destaca os fatos ocorridos no clássico. Gilson Lira comenta com frieza os acontecimentos.

COLUNA DO ARTILHEIRO

             ESPERO QUE VINGUE O: “DURA LEX, SED LEX”.

       Eu poderia até ficar alheio sobre os acontecimentos do Unigrão do último domingo, mas a indignação fala mais alto nesse momento como ex-atleta que teve o prazer de fazer parte de uma época romântica do futebol mato-grossense (década de 70) onde jamais ocorriam essas barbáries que nossos olhos já se acostumam nos dias de hoje, onde não somos exceção, apenas seguimos as tendências do modismo dos centros mais adiantados.

       Tempos bons aqueles em que nas férias quando visitava Cachoeiras de Macacu, no Estado do Rio de Janeiro, recebia dos amigos os cumprimentos pelos gols marcados nos gramados de Mato Grosso. Infelizmente nos dias atuais o nosso Estado só é mostrado no Rio ou em São Paulo quando ocorre algum escândalo político, social ou esportivo. A crônica nacional não vê nada interessante no Estado colosso que domina o agro-negócio e que bate recordes em exportações e vive um surto na industrialização criando milhares de novos empregos. Tem tanta coisa boa para ser contada que não cabe no espaço de uma coluna, mas a mídia mais uma vez escolheu (e é o nosso pessoal que manda para lá) um assunto que serve para denegrir a imagem do nosso futebol. O desentendimento entre duas equipes rivais que acabou gerando agressões entre atletas e membros das comissões técnicas de ambas as equipes e trazendo como pano de fundo (mais uma vez) o despreparo de parte daqueles que deveriam garantir a segurança das torcidas.

       Quanto ao clássico já dava para antever os fatos ocorridos, pois quem já esteve dentro de campo e enxerga nas entrelinhas como nós, sabíamos que há uma semana tudo já se encaminhava para tal, senão vejamos: O União foi para Barra do Garças com um time todo desfalcado (inclusive com vários jogadores pendurados por cartões amarelos) e sem nenhum interesse de brigar com o galo da serra por um resultado de vitória (estaria pagando o favor do jogo do escândalo do Estadual?), por outro lado para jogar um clássico que não teria nenhum interesse a não ser o de complicar o seu arqui-rival de não conseguir a classificação para o quadrangular decisivo(mesmo porque o União já estava garantido há várias rodadas) mandou  a campo todos os seus titulares (inclusive os pendurados) para tentar vencer a todo custo um adversário que dependia da vitória para somar pontos que lhe possam garantir a classificação. Antevendo o clima criado nem fui ao Estádio, preferi ficar em frente à TV passando raiva com o meu Flamengo que tem um centro-avante chamado Souza que é o rei do impedimento e não sei por que o Caio insiste tanto em mantê-lo como titular (inclusive na hora de cabecear, apesar de todo tamanho, encolhe a cabeça com medo do choque). Mas deixa pra lá. O que estranhei foi o fato do meu amigo Birigui tão experiente entrar numa dessas num jogo sem nenhuma importância e comprometer toda a sua folha de serviços diante de todos aqueles que tanto o admiram (como eu). Que péssimo exemplo para quem comanda! E o que dizer do Fernando Vila Nova caminhando para um final de carreira? O que dizer daquela entrada com “intenção” de quebrar a perna de um colega de profissão do Cacá? (pegou por cima da bola). E o que dizer do preparador físico do Tigrão agredindo o atleta Cacá diante das câmaras de TV? Tenho que dizer e torcer para que o Estádio Luthero Lopes não seja fechado, pois nada foi depredado pelos torcedores, mas tem que ser punido quem abriu o portão do lado do União e que o Tribunal dê uma punição exemplar àqueles que patrocinaram as cenas mais degradantes que mancharam mais uma vez a imagem do nosso Estado, para que voltem a ser notícia a nível nacional, não como um exemplo de impunidade como ocorre corriqueiramente em “quase” tudo que se julga nesse país, mas como um exemplo positivo para mostrar que em Mato Grosso ainda vinga aquela citação latina que diz : “Dura Lex, sed Lex”. Ou seja: “A lei é dura, mas é a lei”. E tomara que seja cumprida ao pé da letra.

gilsonlira@terra.com.br  

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