Coluna do Artilheiro
11/07/2008 08:12:26
O que será que esse povo quer?. Se vence de goleada o adversário era galinha morta, se vence apertado o time não presta. Vá entender.
COLUNA DO ARTILHEIRO A MESMA MÃO QUE APEDREJA É AQUELA QUE LANÇA FLORES Sei que é muito difícil para esse grupo que está defendendo as cores do União nesta Copa Governador do Estado (e cuja maioria defendeu também no campeonato Estadual ficando com o vice-campeonato), entender o que está acontecendo para merecer tantas críticas, vaias no decorrer das partidas (o torcedor nem espera mais acabar o jogo para vaiar) e a impaciência de parte da imprensa com uma equipe que após 10 jogos continua invicta, está em 1º lugar na tábua de classificação com 7 pontos na frente dos segundos colocados (Vila Aurora e Araguaia), tem o melhor saldo de gols e há duas rodadas já garantiu a presença no quadrangular final. O que será que esse povo quer? Se o Colorado vence de goleada (aconteceu no Estadual) o adversário era galinha morta, se vence apertado o time não presta, Birigui virou retranqueiro, jogador é mercenário, etc. Enquanto as outras equipes estão colocando as mãos para o céu agradecendo os 3 pontos por qualquer vitória magra, o União tem que golear ou vencer dando espetáculo senão as cobranças acontecem até em treino coletivo. Se coloca uma vantagem durante a partida e passa a tocar bola para administrar o resultado e esperar o momento certo de armar um contra-ataque já dizem que está mal fisicamente e por isso perdeu o ritmo ou está desprezando o adversário. Mas para mostrar que tudo isso não é exclusividade do torcedor colorado de hoje vou fazer algumas colocações para que o amigo leitor possa entender melhor. Houve um tempo em que o torcedor do União ia a campo torcendo para perder de pouco dos clubes cuiabanos e campo-grandenses. E saía feliz do Estádio quando perdia por 1x0 ou 2x1. A partir de 1.975 com todos os reforços conseguidos por Adelson e Lamartine o União formou um time vencedor (daí os 3 títulos invictos do Incentivo, Copa Cuiabá ao lado do Mixto e Vice-campeão Estadual) que passou mais de dois anos sem conhecer derrota dentro do Luthero Lopes que recebeu o cognome de “Caldeirão do Diabo”. Foi nesse período que o torcedor começou a cobrar resultados de goleadas sobre equipes de igual categoria e vitórias heróicas sobre os rivais Mixto, Operário (os dois), Dom Bosco e Comercial de Campo Grande. Chegou a um ponto que em 1.976 quando decidimos o 2º turno no Luthero Lopes contra o Mixto e vencemos por 3x2 e tive a felicidade de marcar os 3 gols e ainda chutar uma bola na trave, enquanto Pastoril e Ari Contijo marcavam os dois gols do Mixto, que me senti revoltado com a atitude de um torcedor. Ele esperou a gente sair do vestiário (com o bolso estufado do bicho do time e do bicho da torcida) para me cobrar em tom de provocação a bola na trave dizendo: “Pô cara, como você me perde um gol daquele na cara do Saldanha?” Respondi-lhe: “Por favor meu amigo eu estou aqui feliz da vida curtindo os 3 gols que marquei num timaço desse e você vem lembrar o gol que perdi porque a bola bateu na trave?” Ele disse: “Não faz mais do que a obrigação você é pago para fazer gols”. Os colegas me puxaram pelo braço e eu fui embora pensando no quanto aquele torcedor foi ingrato. Mas quero ir mais além. Quatro anos depois (quando já tinha jogado duas temporadas no Comercial de Campo Grande), e fui tri-campeão do Torneio Incentivo na minha volta ao União, sendo também o artilheiro da competição vivi uma pressão maior ainda. Não importava o adversário, se até os 20 minutos do primeiro tempo eu não tivesse marcado um gol, já vários torcedores faziam piadas dizendo que eu já estava velho, pedindo a minha saída da partida e outras coisas mais. Por isso, no fim da minha carreira mudei a comemoração, preferia comemorar abraçado aos colegas do que correr em direção à torcida como fazia antes. E quando parei em 1.980, anunciei no último jogo aqui dentro do Luthero Lopes pela Taça de Prata no Brasileiro, vencemos o Vila Nova de Nova Lima (MG) por 1x0 gol meu de cabeça no último minuto, que não jogaria mais e não voltei apesar de passar anos recebendo apelos para voltar. Até hoje relembram meus gols e eu não esqueço as suas alegrias, mas também não esqueço as ingratidões pelas quais passei. Só que o que temos que analisar e isso serve para os atletas do União de hoje é que os que assim agem não representam a maioria e sim uma parcela que já vive descontente com a vida, está de mal com esposa ou é mal resolvido sexualmente e vai lá para o estádio descontar em quem está trabalhando, tentando fazer o melhor para a sua equipe a fim de honrar um contrato de trabalho. E isso nunca vai mudar, aliás, tende a piorar porque hoje estamos respirando ares de violência por todos os lugares. Assim sendo queridos colegas a melhor resposta que podemos dar é trabalhar com seriedade em busca dos resultados que nos levem aos gols e conseqüentemente aos títulos. E fiquem cada vez mais unidos para enfrentar as tempestades porque a bonança não tarda. E aquelas mãos que hoje atiram pedras serão as mesmas que atirarão flores. Um dia eu fui vidraça e também recebi muitas pedras e respondi com 199 bolas nas redes adversárias que renderam três títulos. Hoje o estilingue está em minhas mãos, mas prefiro dar conselhos do que atirar pedras como alguns que compram horários em programas (e nunca deram um chute numa bola) para tentar ganhar a audiência falando mal de profissionais que ganham a vida com o dom que Deus lhe deu: o de jogar futebol. E tenham certeza, vocês vão fazer mais raiva a eles se conseguirem ser campeões, porque essas críticas não são de quem torcem pelo vosso sucesso, são críticas de quem torce contra.










